Escrito por Dra. Pamela Peres | Revisado e editado por Larissa Sanders
Com o envelhecimento da população, o aumento dos quadros de doenças crônicas e a busca crescente por conforto e praticidade, a odontologia domiciliar se tornou mais do que uma tendência: virou uma necessidade real — e, na minha visão, a maior inovação da odontologia nos últimos anos.
Isso porque ele quebra uma série de barreiras que antes pareciam intransponíveis.
Um dentista recém-formado, mesmo sem dinheiro para montar um consultório, pode começar com o que tem, e rapidamente se tornar referência em sua cidade.
A estrutura é simples, o custo operacional é baixo e, por ser um serviço altamente personalizado, os honorários são justos e valorizados.
Além disso, o atendimento domiciliar liberta o dentista da estrutura física: você não precisa mais ficar preso entre quatro paredes para oferecer um atendimento de excelência.
De forma geral, o atendimento domiciliar é indicado para qualquer pessoa que tenha dificuldade de sair de casa — ou que simplesmente prefira não sair.
Assim como pedimos comida por aplicativo, tem gente que prefere receber o dentista no conforto do lar, seja por praticidade, comodidade ou estilo de vida.
Mas falando da prática real, o que eu mais vejo, e o que colegas que também trabalham com home care relatam, é que a grande maioria dos atendimentos vêm de famílias que estão cuidando de alguém com limitações importantes.
Um familiar acamado, um idoso com Alzheimer, Parkinson ou demência, um paciente oncológico debilitado, pessoas com deficiência física ou cognitiva, que simplesmente não conseguem mais sair de casa com segurança.
Essas famílias nos procuram porque estão tentando fazer o melhor possível, mas muitas vezes não sabem nem por onde começar.
E aí entra o papel do dentista que entende esse contexto, que não julga e que sabe adaptar o atendimento à realidade daquela casa, daquele paciente, daquela rotina. Esse é o verdadeiro perfil do atendimento domiciliar hoje.
Na prática, o maior desafio do atendimento domiciliar não é executar o procedimento odontológico em si.
Fazer uma prevenção, uma extração simples ou uma restauração atraumática é algo que a gente já aprendeu na faculdade e que faz parte do nosso dia a dia clínico.
O que realmente pega — e pouca gente fala — é a logística. Organizar os materiais, montar uma maleta funcional, adaptar a técnica ao espaço disponível, lembrar de todos os detalhes para nada faltar… tudo isso exige planejamento, prática e estrutura.
Levar a odontologia até a casa do paciente não é só sobre atender em outro ambiente. É sobre pensar em tudo antes de sair de casa.
E o segundo grande desafio é ainda mais delicado: lidar com o contexto em que esse paciente está inserido.
A gente não trata só um dente, trata uma pessoa — muitas vezes frágil, vulnerável, com histórico de múltiplas comorbidades, limitações físicas e emocionais.
E com esse paciente, vem uma família inteira, cheia de dúvidas, medos e expectativas. Você não cuida só da boca. Cuida da casa, da rotina, das relações.
E é por isso que o atendimento domiciliar exige muito mais do que técnica. Exige empatia, escuta e adaptação o tempo todo.
Tudo. Sim, todos os procedimentos odontológicos podem ser feitos em casa. Não existe nenhuma limitação formal imposta pelo Conselho Federal de Odontologia que diga o que pode ou não pode ser feito no atendimento domiciliar.
O que determina a viabilidade é a segurança do profissional, o nível de complexidade do caso e a estrutura que você tem disponível.
Na prática, o que mais fazemos no home care são os procedimentos de clínica geral: tratamentos preventivos, raspagens, restaurações atraumáticas, extrações simples, ajustes e confecção de próteses (parciais e totais), diagnóstico de alterações orais, biópsias e orientações para as famílias.
Também realizamos acompanhamento de distúrbios como bruxismo, lesões autoimunes, infecções fúngicas e outros quadros comuns em pacientes acamados ou com doenças sistêmicas.
Costumo dizer que o atendimento domiciliar é feito de procedimentos simples, em pacientes complexos.
Não é sobre fazer menos, é sobre fazer diferente — com consciência, preparo e respeito pelo contexto de saúde e social de cada paciente.
A primeira coisa que você precisa saber é: você já pode começar. O atendimento odontológico domiciliar é previsto tanto pelo Conselho Federal de Odontologia quanto pela Vigilância Sanitária.
Ou seja, não precisa de nenhuma autorização especial. Se você é dentista, está com o CRO ativo, já pode oferecer esse tipo de atendimento como profissional autônomo.
Mas isso não significa que é só pegar o carro e sair atendendo. O primeiro passo é entender quem é o paciente que te espera do outro lado da porta.
Na maioria das vezes, é alguém com múltiplas doenças, tomando uma lista enorme de medicamentos, com limitações físicas, cognitivas ou ambas.
Você precisa estar preparado para isso. Precisa ser curioso, estudar os casos, entender o impacto da saúde sistêmica na boca e vice-versa. Esse é o verdadeiro ponto de partida.
Na parte estrutural, muita gente acha que precisa investir em equipo portátil, compressor ou aparelhos sofisticados. Mas você pode começar com o que já tem.
Lembra da maleta da faculdade? Aquela com EPI, jogo clínico, espelho, sonda, cureta, espátula, etc.? Já dá para muita coisa. Você só precisa saber usar bem o básico e fazer o que você se sente seguro para fazer.
E o mais importante: não caia na armadilha de achar que precisa resolver tudo. No home care, o impacto de uma escovação bem feita, de um ajuste de prótese, de uma orientação que ninguém nunca deu — já é enorme.
Comece com o que você sabe, com o que você tem, e com o coração no lugar certo. O resto, você vai construindo com a prática.
Para mim, a primeira — e talvez a mais importante — é a liberdade. No home care, você não fica preso a um consultório físico.
Não tem que arcar com os altos custos de estrutura, aluguel, secretária, luz, água, internet, manutenção.
Você monta o seu cronograma, escolhe os pacientes, os bairros, os horários. Você é dona(o) da sua agenda.
Isso faz toda a diferença, principalmente para quem é mãe, para quem tem uma rotina instável, um parceiro que viaja muito ou até para quem sonha em conhecer o mundo sem abdicar da odontologia.
O atendimento domiciliar permite isso. É uma forma mais leve, mais autônoma e mais flexível de viver da profissão.
A segunda vantagem é financeira. Como o investimento inicial é baixo — muitas vezes você já tem o básico desde a época da faculdade — e o custo operacional também é reduzido, o retorno financeiro costuma ser muito mais rápido.
E mais: como é um serviço diferenciado, feito com hora marcada, atenção exclusiva e voltado a pacientes mais complexos, os honorários são naturalmente mais altos.
Não é incomum que o mesmo procedimento realizado no consultório custe o dobro quando feito em casa. Porque o valor não está só no procedimento, está na experiência, na conveniência, na segurança que você leva com a maleta.
E a terceira vantagem, para mim, é a mais bonita: você faz uma odontologia com mais propósito. Você cuida de pessoas que realmente precisam de você — e que estavam muitas vezes invisíveis até então.
São pacientes que valorizam cada detalhe do seu cuidado, que vão se lembrar de você com carinho, que vão te indicar para outras famílias.
E como ainda são poucos os dentistas atuando nesse campo, você se destaca mais rápido e conquista pacientes mais fiéis.
Não é a área mais fácil, mas é uma das mais gratificantes. Porque te dá autonomia, retorno e, principalmente, sentido.
Se tem uma coisa que aprendi com os atendimentos domiciliares é que você não precisa de muito para começar — mas precisa começar direito.
Essas são as dicas mais importantes que posso te dar, após atender centenas de pacientes em casa:
Essa é a armadilha número um de quem está começando. Acha que precisa investir em compressor, cadeira dobrável, LED acoplado e toda a parafernália possível. Não precisa.
Você consegue atender muita coisa com o básico que já tem da faculdade. Cureta, espelho, sonda, EPI, gaze, conhecimento e organização. A falta de equipamentos não pode ser uma desculpa para adiar o início.
Organização é o que sustenta a sua produtividade. Isso vale para a montagem dos kits, montagem da agenda, rota de deslocamento e prontuários.
E aqui entra uma dica prática: um software odontológico como o Simples Dental faz toda a diferença.
No home care, você não tem onde espalhar papel, ficha, receituário. Ter tudo digital, inclusive o prontuário, agiliza, profissionaliza e evita erros.
Só porque você não paga aluguel não significa que pode cobrar qualquer coisa. Você tem tempo de deslocamento, gasolina, estacionamento e um tempo clínico maior por atendimento.
Então, saiba o valor da sua hora. Faça as contas. Senão, você vai achar que está lucrando — e no fim tá pagando para trabalhar.
Se tem uma coisa que esses atendimentos têm em comum é: você vai atender gente que toma muitos remédios, que tem várias doenças, que depende de outra pessoa para viver.
Você precisa entender esse cenário, saber avaliar e agir com segurança. Não é só saber fazer uma extração ou uma prótese. É saber o que aquele corpo pode receber, e o que ele não aguenta mais.
O home care não exige perfeição. Exige preparo e presença. Comece com o que você tem, com o que você sabe, mas não pare por aí. Continue aprendendo.
Porque o que você faz ali, na casa de uma família, tem impacto muito maior do que você imagina.
Se tem uma ferramenta que me acompanha em todo atendimento domiciliar, é o Simples Dental. E não é só porque é prático — é porque resolve de verdade no dia a dia.
No começo, nem sempre você vai ter uma secretária. E ficar negociando horário por WhatsApp cansa e você pode perder o paciente por causa disso.
O link de agendamento do Simples Dental resolve isso. O paciente entra em contato, você envia o link, e ele escolhe o melhor horário disponível na sua agenda. Economiza tempo e evita desencontro.
No home care, não dá para carregar papelada. Ter a anamnese, odontograma, planejamento, fotos e radiografias salvos no software faz toda a diferença.
Tudo pode ser acessado na hora pelo celular ou tablet. Isso evita esquecimentos e agiliza muito o atendimento.
Terminou o atendimento, preencheu a receita no sistema, assinou digitalmente e mandou no WhatsApp do paciente.
Sem carimbo, sem papel, sem complicação. Tudo documentado e dentro das normas. Essa funcionalidade, sozinha, já transforma a sua rotina.
No consultório, o Simples Dental já é um grande aliado. Mas no home care, ele vira indispensável.
E para quem quer começar com leveza, organização e segurança, é um investimento que vale cada clique.
Pamela Peres é cirurgiã-dentista, especialista no atendimento a pacientes com problemas de saúde, medo de dentista e odontologia domiciliar.
Criadora de formações completas na área de pacientes com alterações sistêmicas e atendimento home care, é referência nacional para dentistas que desejam atuar com segurança e propósito fora e dentro do consultório.
Pamela também é empresária, educadora e lidera um movimento que acredita em uma odontologia que acolhe, empodera e resolve — onde o paciente estiver.